Defectível

Não demores
Destruas em mim os pormenores dos desejos
Dê vida à morte dos nossos devaneios
Trace a linha que divide o ser
Afogue no oceano tudo o que sempre quis dizer

As nuances do nosso existir, 
Já não existirão
Jazerão eternamente no limbo do esquecimento
Mas espere, só por um momento
Pense que isso destruirá todo o teu sofrimento

A reminiscência da nossa existência
Tornar-se-á a quintessência da excelência
Em nossa memória, de toda a glória,
Daquele existir subtraído pelo devir

Aí, então, a flor nascerá
Os amanheceres, eu espero, serão mais belos
As tardes cintilarão em amarelos
Os ventos soprarão sinfonias
As montanhas mover-se-ão em farelos

Esforçar-me-ei em detê-lo
Ainda que a fraqueza da incerteza 
Provoque toda a tristeza
E os princípios e fins estender-se-ão 
Nas dimensões secretas do coração.

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