Sombras e silêncios
Sempre houve um espaço entre nós, algo que nos separava mesmo quando estávamos lado a lado. Um abismo invisível, silencioso, mas presente. Não sei dizer se era medo, se era desinteresse ou se simplesmente éramos assim: uma equação sem solução.
Você sempre foi evasivo, um senhor pérola, fechado em sua concha, entregando apenas o que não lhe pesava. Cada palavra sua vinha com um véu de mistério, um silêncio implícito, como se falasse menos do que realmente queria. Eu tentava decifrar. Tentava entender onde ficava o limite entre a amizade e aquilo que eu suspeitava ser mais. Mas você nunca me deixou ver.
O começo foi simples: risadas compartilhadas, olhares prolongados, momentos que pareciam transbordar algo além do comum. Mas então veio a confusão, a nebulosa que envolvia tudo o que era você. Seus pensamentos pareciam se perder em um mundo que eu não conhecia, um mundo que você nunca me convidou a habitar.
Eu queria ir com você, sabe? Queria atravessar esse limbo, mesmo que me consumisse. Queria enlouquecer ao seu lado, ser devorado por essa incerteza, desde que isso significasse que você também queria estar aqui. Mas a verdade é que você nunca esteve completamente. Sempre a um passo de distância, sempre vivendo realidades que não me incluíam, como se pertencesse a outro tempo, a outro espaço.
Talvez a culpa fosse minha por criar fantasmas onde havia apenas sombras. Talvez tenha sido presunçoso demais pensar que poderia quebrar o que quer que lhe prendesse. Ou talvez algumas conexões sejam destinadas a permanecer incompletas, suspensas entre o que poderia ter sido e o que nunca será.
O silêncio se fez rei entre nós. Eu ainda queria perguntar, mas já sabia a resposta: você nunca esteve disposto a ficar.


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